Porque é necessário que a grávida realize a análise pré-parto relativa ao marcador anti-HBC?
Na grande maioria dos casos, as pessoas que têm infeções crónicas pelos vírus da hepatite B (VHB) estão assintomáticas pelo que o diagnóstico assenta nas análises ao sangue.
Estas análises, que se designam por testes de rastreio, podem ser efetuadas no decurso de uma avaliação de rotina em indivíduos que tenham estado expostos a qualquer situação considerada de risco, são realizadas em doentes com manifestações clínicas de doença do fígado cuja causa não é ainda conhecida e, habitualmente, estão incluídas no estudo laboratorial que se faz na gravidez.
Há um período de incubação (período de janela), que varia entre 60 a 150 dias, normalmente tem o prazo médio de 90 dias, desde que um indivíduo foi exposto ao VHB até ao aparecimento de sintomas.
Para fazer a criopreservação do sangue do cordão umbilical (SCU) e do tecido do cordão umbilical (TCU) temos de ter a certeza que a grávida não tem o VHB nem se encontra nesse período de janela.
Porque se fazem testes?
Fazem-se testes de PCR (para determinar se existe material genético do vírus) ao sangue periférico materno colhido no dia do parto. As amostras de SCU e TCU, quando positivas, têm de ser imediatamente destruídas. É por isso fundamental ter o resultado da análise do marcador anti-HBC antes do parto e da colheita de SCU e de TCU, para antever uma potencial infeção que será confirmada no dia do parto com o sangue materno colhido nesse momento.
O que significa então o anti-HBc?
O anticorpo total gerado contra o antígeno do núcleo (core) do vírus hepatite B (anti-HBc) aparece no início dos sintomas agudos da hepatite B e persiste por toda a vida. A presença de anti-HBc indica infeção anterior ou em curso pelo VHB, num período de tempo indefinido.
Permite detetar portadores no período de janela, em que os sintomas clínicos não estão presentes.
O que é o antígeno de superfície da hepatite B?
O antígeno de superfície da hepatite B (HBs Ag) é uma proteína que pode ser detetada em níveis elevados no soro sanguíneo durante a infeção aguda ou crónica do vírus da hepatite B. A sua presença indica que a mãe pode transmitir a doença. O HBs Ag é o antígeno utilizado para fazer a vacina contra hepatite B.
A uma grávida, o importante é saber se ela está com a doença ou não, de forma a instituir a terapêutica adequada para salvaguardar a vida do bebé que está em desenvolvimento, por isso apenas o HBs Ag é comparticipado pelo sistema nacional de saúde. Quando falamos de criopreservação, queremos ter a certeza que guardamos tecidos e SCU sem o DNA do vírus da hepatite B, por isso, temos de obrigatoriamente saber se houve contacto com o vírus, mesmo a grávida estando bem e ainda sem sintomas clínicos.
