Muitos pais optam pela criopreservação das células estaminais dos seus filhos na esperança de, um dia em caso de necessidade, terem acesso a amostras para o tratamento de doenças hemato-oncológicas e para utilização em diversas aplicações na área da Medicina Regenerativa.
As células estaminais presentes no sangue e tecido do cordão umbilical são essencialmente células estaminais multipotentes, hematopoiéticas e mesenquimatosas, respectivamente. Actualmente são consideradas células seguras com grande potencial terapêutico e por isso importantes no desenvolvimento de terapias celulares. As células estaminais hematopoiéticas e mesenquimatosas são terapias celulares que não apresentam o perigo de formação de teratomas (tipo de neoplasia) frequentemente associada à utilização de células estaminais embrionárias e células estaminais pluripotentes induzidas (iPSCs). De realçar ainda os graves entraves éticos e religiosos, associados à colheita e isolamento de células estaminais embrionárias, que levaram à procura de outras alternativas nas terapias celulares.
O risco de desenvolvimento de alterações neoplásicas existe sempre em todas as células do nosso corpo, principalmente naquelas que apresentam maior capacidade de multiplicação, como as células percursoras das células sanguíneas presentes na medula óssea, as células percursoras dos gâmetas localizadas no testículo ou até mesmo as células de mucosas que estão em constante renovação, como por exemplo a mucosa gástrica. Em certo momento, por diversas causas endógenas (como o envelhecimento) ou exógenas (como a exposição a radiação, a determinados fármacos ou vírus) estas células podem alterar o seu DNA e originar células neoplásicas. O mesmo pode acontecer ao nível das células estaminais adultas presentes nesses tecidos em todos os indivíduos e que são responsáveis pela sua taxa de regeneração e reposição celular diária. Foi nesse sentido que no âmbito do Porto Cancer Meeting se pretendeu informar os participantes e interessados, sem comprometer nem desvalorizar a utilização de células estaminais do cordão umbilical, que continuam a ter um impacto muito positivo no tratamento de diversas formas de cancro.
Actualmente tem-se vindo a juntar esforços de investigação no desenvolvimento de ensaios pré-clínicos e clínicos, para o estudo do potencial terapêutico das células estaminais mesenquimatosas presentes no tecido adiposo, na medula óssea e no tecido e sangue do cordão umbilical para o tratamento de cancro. Estas células estaminais mesenquimatosas poderão integrar localmente fármacos quimioterápicos evitando-se assim os efeitos colaterais dos tratamentos de quimioterapia aplicados sistemicamente e permitindo o acesso a neoplasias e a metástases sem acesso cirúrgico para a sua recessão.
Existem inúmeros artigos científicos publicados, podendo por exemplo consultar um dos artigos na íntegra aqui http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21740940’ .
